Autoaceitação na recuperação: dizer a verdade sem se reduzir ao passado

Reconhecer o que aconteceu pode abrir espaço para pedir apoio e escolher como agir hoje.
Descrição para busca: Uma reflexão sobre autoaceitação, vergonha e apoio na recuperação, inspirada na meditação diária de Narcóticos Anônimos.

A página de Narcóticos Anônimos exibe 26 de outubro e aborda a autoaceitação, a honestidade e a experiência de compartilhar dificuldades com outras pessoas em recuperação. O texto abaixo é uma reflexão original da Freedom Life. A meditação completa está no site de NA. Narcóticos Anônimos

Aceitar a própria história não é aprovar tudo o que aconteceu

Quem está em recuperação pode carregar lembranças difíceis: uma promessa não cumprida, um vínculo abalado, uma decisão que trouxe consequências. Às vezes, a vergonha transforma esses acontecimentos em uma conclusão sobre a pessoa inteira: “Sou apenas os meus erros”.

A autoaceitação começa quando conseguimos olhar para os fatos com mais precisão. Posso reconhecer uma atitude, sua consequência e minha responsabilidade sem concluir que perdi a capacidade de aprender. Também posso reconhecer sofrimento e dificuldades que preciso tratar, sem usá-los para apagar o impacto das minhas ações sobre outras pessoas.

Esse olhar leva tempo. Ninguém precisa contar toda a sua história de uma vez, nem expor algo íntimo para provar que está comprometido com a recuperação. Escolher uma pessoa de confiança e dizer “há uma parte da minha história sobre a qual ainda tenho dificuldade de falar” já pode ser um começo honesto.

O que muda quando somos ouvidos?

Na meditação de hoje, NA relaciona a autoaceitação à partilha entre pessoas que reconhecem experiências semelhantes. Essa é uma proposta de seu programa de ajuda mútua, com uma dimensão espiritual que cada participante compreende à sua maneira. A Freedom Life respeita diferentes crenças e também quem não segue uma religião. Narcóticos Anônimos

Ouvir alguém sem reduzir essa pessoa ao uso de substâncias ajuda a criar uma conversa mais respeitosa. Isso vale para uma reunião, para a família e para a equipe. Significa fazer perguntas antes de presumir respostas e permitir que a pessoa participe das decisões sobre seu cuidado.

Há uma razão para prestar atenção às palavras. O NIDA, instituto público de pesquisa dos Estados Unidos, orienta o uso de linguagem que coloque a pessoa antes da condição de saúde e explica que certos termos podem reforçar o estigma. Essa orientação não prova que uma conversa isolada produza recuperação; ela ajuda a evitar barreiras desnecessárias ao diálogo e à busca de apoio. nida.nih.gov

Um passo possível, sem exigir perfeição

Autoaceitação não significa sentir-se bem o tempo todo. Em alguns dias, ela pode ser a disposição de dizer: “Estou com vergonha e, mesmo assim, preciso conversar”. Em outros, pode ser reconhecer uma melhora pequena que passou despercebida: cumprir um compromisso, pedir ajuda antes de uma situação piorar ou ouvir uma crítica sem fugir imediatamente.

A recuperação tem caminhos diferentes. Segundo a SAMHSA, eles podem envolver cuidado clínico, apoio entre pares, família, autocuidado e outras formas de suporte, conforme as necessidades da pessoa. Uma reflexão espiritual pode dar sentido à experiência de alguém; avaliação e tratamento de saúde cumprem outra função quando são necessários. Nenhum dos dois deve ser apresentado como garantia de cura. SAMHSA

Pergunta para reflexão: que fato da minha história consigo reconhecer hoje sem transformá-lo em uma definição de quem eu sou?

Ação pequena para hoje: escreva duas frases: “Uma atitude pela qual assumo responsabilidade é…” e “Um passo de cuidado que posso dar agora é…”. Se quiser conversar sobre elas, escolha alguém com quem se sinta seguro.

Texto autoral da Freedom Life, inspirado no tema da meditação de NA de 26 de outubro. A Freedom Life não representa Narcóticos Anônimos nem conta com seu endosso.

Referências: Meditação diária de NA · NIDA: linguagem ao falar sobre adicção · SAMHSA: caminhos da recuperação